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4 de set. de 2015

Sobre impacto de pesquisas e financiamento

Professor Stephen Kanitz, em um artigo chamado "A origem da corrupção brasileira" faz uma análise muito interessante da realidade nacional no âmbito da questão de auditoria. Após a exposição de vários indicadores e alguns argumentos o autor conclui de forma sensata: "o Brasil não é um país corrupto. É apenas um país pouco auditado."

Na pesquisa que venho desenvolvendo quanto a análise da produção científica dos pesquisadores de Contabilidade no Brasil tenho visto uma infinidade de fenômenos interessantes: coautoria honorária, coautoria fantasma, salami science, autocitação, citação indevida, plágios e autoplágios, republicação de pesquisas em mais de um periódico, sumiço e inclusão de autores sem aparente justificativa entre versões de artigos de congressos e revistas, o aumento da média de autores por artigo nos últimos anos, Matthew effect, Streetlight Effect, etc etc.

Mas diante de tudo isso, me faço uma questão para a qual não acho o menor indicativo de resposta: somos maus pesquisadores ou somos apenas pesquisadores pouco financiados?

Lembro de uma conversa com o prof. Edgard Cornachione no segundo ano do doutorado em que discutimos os motivos da nossa pouca representatividade em periódicos internacionais e na qual levantei a questão: "será que somos tão incompetentes assim?" E recebi em respota: "Ou será que precisamos dividir nossas publicações pelo volume de financiamento a que temos acesso?"

Não seria motivo de grande satisfação se, ao fazer essa divisão, descobríssemos o quanto somos talentosos em fazer muito com pouco?

Em tempos de vacas magras essa pergunta se torna ainda mais importante para o nosso campo de pesquisa.

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